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Tempo, Tempo
Voltava com a Adriana, a portuguesa, da pós quando, não me perguntem o porquê, engatamos um papo sobre religião. Argumentos meus, filosofias dela, contestações de ambos. Uma troca de idéias agradável. O engraçado foi que notei, na hora, que uma conversa parecida tinha sido travada três anos e pouco atrás – também com uma pessoa que à época me parecia especial.
De carona com o Theo, hoje, ele me contou que um amigo está se casando no próximo mês. Quando os amigos estão começando a se preparar para o casório, é sinal de que: 1- o mundo está perdido; e 2- você está ficando velho.
Constatei que absurdos 22 anos haviam se passado. Muito rápido. Diferente. Estranho. Li muitos livros, deixei de ler a maioria que deveria ter lido. Vi muitos filmes, assisti mais da metade que deveria ter visto. Não aprendi a cozinhar, mas aprendi a comer cada vez melhor. Conquistei meninas, mas fui dez vezes mais rejeitado. Enfim, minha vida mudou muito. O mundo mudou muito. A mudança fez minha vida muito melhor.
O pálido Fábio de tempos atrás, com medos, dúvidas, incertezas, sem auto-estima, ainda existe. Evidente que existe. O que passa, agora, é que me sinto mais confiante, talvez experiente, achando-me conhecedor de mim mesmo. Na verdade, acho issouma grande bobagem. Estou ficando velho, e o mundo, o tal das mudanças, começa a bater pedindo respostas. O problema, mané, é que ainda não consigo dá-las. E começo a achar que tudo o que disse ali em cima, de ‘confiança’ e tal, é a mais pura baboseira.
Escrito por Fábio Balassiano às 21h37
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UM DECOTE NO CASTELO
Estava morto. Muito cansado. Chegara às oito na redação. Para não dizer que foram dez horas de trabalho ininterrupto, consegui engolir um Mc Chicken ao lado da Carol, tomar uma Coca e três copos de água. Bom, né? Atrasado, saí correndo em direção ao ponto. Quatro minutos, lá estava o 2016. Abriu a porta. Entrei. Roleta. Passei. Lotado, ficaria em pé por todo o trajeto. Como se vê, nada é tão ruim que não possa piorar.
Mas uma cor me chamou a atenção. Era violeta. Curto, decotado, provocante. Tudo que eu precisava. Uma morena em um vestido cor de violeta, com um decote absurdo, lindo, sensual. Postei-me ao seu lado, claro. Como quem não queria nada, mas querendo tudo. O meu ‘tudo’, naquele momento, se resumia a pouca coisa, dado o meu esgotamento.
E a “viagem” seguiu. O mais interessante é que, sabendo que eu estava olhando ou não, ela acariciava o meu objeto de desejo com a ponta da unha a cada cinco minutos. Eu delirava, suspirava, quase aplaudia. Previa descer no Leblon e tomar outro ônibus que me deixasse diretamente no Centro, mas não pude. Seria contra a minha natureza. Copacabana. Prometi que sairíamos juntos. Aterro. Por merecimento -dela.
Afinal, ela mudara meu dia. Monumento dos Pracinhas. Estafado e com dor de cabeça, não pensava mais em meus problemas. Cheguei ao Castelo. Ofereci-lhe a passagem. Não por cavalheirismo, mas para apreciá-la pela penúltima vez. Estava animado, feliz, louco para ao menos retribuir o que ela havia feito por mim. O que seu decote havia feito pelo meu dia, na verdade. Sorri. Sorri um sorriso de agradecimento. Ela retribuiu, e caminhei por 20 minutos na Avenida Rio Branco com o sorriso daqueles que ainda conseguem se apaixonar por um decote. E que decote. Um decote violeta.
Escrito por Fábio Balassiano às 23h04
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Seis
Seguindo as ordens do meu amigo Klaus, vamos às seis coisas que eu já fiz, e que provavelmente vocês não sabem.
1- Eu também já roubei... Balas, em uma confeitaria. Comprava três, com o troco do metrô, e levava 9, 10... isso durante um ano, com meu companheiro Rony! A loja de Botafogo faliu...
2- Eu já pedi autografo pro Magno Alves. Afe.
3- Já fiz gol de bicicleta no ginásio (piso de madeira) do Liessin. Foi a dor nas costas mais saborosa da minha vida.
4- Essa é recente. Já gaguejei ao falar com mulher. Na semana passada, ao trocar um 'Oi, tudo bem" com a pequena-nobre Fernanda Lima.
5- Não sei andar de bicicleta.
6- Sou tarado por mulheres no melhor estilo "cavalão".
Escrito por Fábio Balassiano às 09h28
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A nova velha guarda
Três lançamentos agitam o mercado fonográfico nacional. ‘Carioca’, primeiro inédito de Chico Buarque desde 98, ‘Acariocando’, a volta de Ivan Lins às grandes composições, e ‘Cê’, o autoral do Caetano, que também andava meio lusco-fusco.
Estranho, né? Parece notícia da década de 70. E devemos agradecer, porque os últimos lançamentos não são nada animadores. CPM22, Jota Quest, Detonautas, a chamada “fina flor da nova música brasileira” não desperta tesão auditivo em ninguém. Foi por isso que corri à Travessa horas atrás. Ouvi os três, e ainda sobrou pra ‘Qualquer’, do não menos craque Arnaldo Antunes.
É difícil não ficar encantado com a nobreza dos arranjos “sambísticos” de Ivan Lins, com a frase “se não deu certo uma mudança, a gente muda de esperança”, com a faixa ‘Renata Maria’, composta com Chico (que dupla tricolor...), e com um samba (esqueci o nome) composto com Victor Martins (de inúmeros carnavais, não?).
Chico volta com a mesma toada antiga, e com o mesmo talento. Não achei genial como o de Ivan Lins, mas está dentro do padrão Chico Buarque de qualidade. Sambinhas, aquele estilo meio “de breque” e três canções absolutamente imperdíveis: “Subúrbio”, “As Atrizes” e “Sempre”.
O de Caetano, lançado exatamente hoje, é indecifrável na primeira “escutada”. Meio Rock, não é de fácil interpretação assim. A primeira música, um desabafo para sua ex-mulher (por mais que ele negue) é de uma habilidade absurda. Preciso, porém, mais tempo para julgar o resto.
Mas, ao contrário do que parece, não comprei nenhum deles.
Ora bolas, mas por quê então escrever isso? Porque meu aniversário está chegando, a grana tá curta e antecipo a vocês, amigos, três bons motivos para ver um belo sorriso meu. Esqueçam o do Chico, esse já era. A patroa já arrematou... Sobram Ivan Lins, Caetano e Antunes...
Escrito por Fábio Balassiano às 18h22
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O fim do domingo
Em 1996 (13 anos), na saída de um Fla-Flu (0-0, com meu time jogando muito melhor, mas com Romário quase acertando uma bicicleta aos 45 do segundo tempo), meu pai, meu irmão e eu fomos atropelados na descida da rampa por vândalos com a camisa do Flamengo. A partir deste dia decidimos: o clássico passaria a ser visto de casa. Três anos depois, depois de um Vasco e Fluminense (0-3, show do Felipe, mais de 100 mil pessoas no Macananã e Túlio no meu ataque) quase fomos atingidos por urina e outros dejetos. Outro jogo riscado. No ano passado, contra o Botafogo desta vez (4-0 pro Fluzão, um espetáculo, com gol até do Fidelinho), meu velho quase foi atingido por imbecis alvinegros. Pronto, fechou, formou: nada mais de clássicos.
Desde 2005, jogo pra ir é jogo sem torcida oposta, com chance mínima de briga. E digo mínima porque tem uma percentagem considerável de porrada entre animais com a mesma camisa.
Todo esta explanação para dizer que o que aconteceu aqui na quinta-feira passada, no feriado de “Independência” às vésperas de um Botafogo e Fluminense, decreta o fim do futebol, o fim do domingo festivo (mesmo tendo sido na quinta). Uma briga absurda, anormal, combinada pela Internet (Orkut, claro), matou um botafoguense, feriu um tricolor e deixou um vascaíno em coma. Escrevi Vascaíno? Sim, um bacalhau estava metido na briga, apenas por esporte, apenas por prazer, ou, como diz o Orkut, por paixão.
Por isso, acho que fiz uma boa ação ontem. No Devassa, um gaúcho (com duas belas amigas a tiracolo) me perguntou:
- O que você acha de eu assistir o clássico amanhã?
- Quem joga, colorado?
- Flamengo e Botafogo
- Não vá, é clássico. Duas torcidas, vai sair briga.
- Mas como, o Flamengo está na zona do rebaixamento, a torcida do Botafogo é pequena.
- Cara, vai pra praia, ao Pão de Açúcar, mas não ao Maracanã com torcida. Deixe para visitá-lo amanhã, vazio.
- Tu estás maluco, carioca. Eu quero é ver o grito da torcida.
- Vai então, gaúcho, mas é capaz de você ouvir o barulho de um tiro...
- É, pensando bem... não vou mais!
Terminei a noite concluindo que o mais sensato de todos é o Marcelo, o do comentário inteligente aqui de baixo. Se não me engano, o juvenil não entra no Maracanã desde 1998. Via de regra, lugar com mais de 20 pessoas aqui no Rio de Janeiro é lugar de risco. Diversão, por essas bandas, rima com confusão.
Escrito por Fábio Balassiano às 11h26
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O serrote e o pedal
Duas mortes chocaram o Rio de Janeiro na última semana. A primeira no bairro de Botafogo. A segunda, na Lagoa Rodrigo de Freitas. Na terça-feira passada, 30.08, o vigia Juarez esquartejou a empresária Edna, de 51 anos. Neste sábado, cinco jovens (como se diz na Espanha) deixaram as suas vidas na pista em direção ao túnel Rebouças, em frente ao clube de remo do Vasco. Duas façanhas absolutamente distintas, mas igualmente chocantes.
Segundo o vigia Juarez, que conta com uma folha corrida de fazer inveja a Eurico Miranda e aos “mensaleiros”, o crime se deu por causa da vaga em que Edna havia estacionado o seu carro. É para se questionar se estamos sonhando, não? Ou, no mínimo, o Juarez é o maior defensor das calçadas cariocas que conhecemos. Pior que a morte, foi o ato posterior. Não satisfeito, o animal serrou o corpo da empresária e despejou os “dejetos” na rua, como se não fora nada. Imagina andar e pisar em um crânio, tropeçar em um braço, roçar os pés em uma canela... Patético, alucinante, deprimente. Nem Hitchcock faria melhor.
Sábado, depois de mais uma sensacional night na discoteca Sky Lounge, cinco jovens (três menores) faleceram após o Honda Civic capotar e se chocar em árvores na Lagoa Rodrigo de Freitas. Apesar da dor e do sofrimento da família, cabem algumas perguntas: como estavam em uma boate jovens com menos de 18 anos? Qual a parcela de responsabilidade dos pais do motorista, ao emprestar um Honda a um menino de 19 anos? Se uma das meninas mentiu ao seu pai sobre o destino de sua noite, a revolta dos pais não deveria dar lugar a uma reflexão do acontecido?
Sim, o momento dos parentes não é para análises, mas de choro. Compreensível. Cabe aos pais alheios ficar mais atentos às atitudes de seus filhos. Para nós, jovens, perder a noção do poder que temos com um carro do ano, mulheres em profusão e bebida é ridiculamente fácil. Mas educação vem de casa, independente de grana, condição social ou se os pais são separados. Os filhos têm culpa sim, mas não custa lembrar que, a grosso modo, eles são o reflexo da índole que recebem de seus superiores.
Com relação ao crime da Bambina, talvez o pessoal do meu curso é que tenha razão quando dizem que crimes assim já se tornaram banais. Só acho que é a primeira vez que vejo um serrote ser usado em um assassinato. E que a barbárie está cada vez mais tenebrosa no Rio de Janeiro.
Escrito por Fábio Balassiano às 12h56
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