Um pouco sobre nada, por Fábio Balassiano


Lula de novo

Ainda não consigo expressar, realmente, um sentimento em relação à nova eleição de Lula. Não posso avaliar economicamente o seu atual governo, porque não sei de economia. Dizem que é a mesma coisa do governo FHC. Se isso é verdade, não deve ser muito bom. Enfim...

Com Lula ou com Alckmin, o que senti falta nessas eleições, como em todas que me lembro, foi de um programa de nação, um programa que não coloca esforços "politiqueiros" e partidários à frente de ideais que realmente interessam. "Fazer o povo comer", como o presidente fala lembrando do 'Fome Zero' e do 'Bolsa Família', não é um problema. Conversando com um amigo francês, cheguei à conclusão: se esse fosse o caminho inicial (ou um pontapé inicial, para usar um jargão do futebol, que Lula tanto se amarra...) para a mudança do país, tudo bem, vamos juntos. Mas, infelizmente, não é. Os dois projetos remetem à velha história das aulas de literatura - a do dar o peixe, e não ensinar a pescar...  

Na semana passada andei muito de táxi. Conversando, ouvi um depoimento interessante de um deles: "Cara, não me importa muito o que acontece em termos econômicos, ou políticos. Só existem três coisas que importam à minha família: emprego, saúde e comida". Enquanto o governo também pensar assim, e não estimular com que este taxista tenha um raciocínio, para ser educado, um pouco mais aberto, Lulas e Alckmins medíocres serão eleitos, como são Rorizes, Cabrais e afins...

Eu não acredito no Brasil, infelizmente. Não é pelo resultado das urnas, que considero normais. Mas sim por uma série de fatores (corrupção, falta de projetos, confusão, por exemplo, entre esporte/turismo e entre saúde/turismo, falta de investimentos sérios em cultura, etc...). Não é pessimismo. É realismo. Lula diz que termina o seu segundo mandato colocando o Brasil entre os países desenvolvidos. Alguém acredita? 



Escrito por Fábio Balassiano às 16h00
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O tempo, sempre ele

A vida nos prega peças. Talvez não seja, e não é, a melhor forma de começar um texto. Todo mundo já disse isso, né não? Tá, apaga isso ali e vamos começar.

Engraçado como eu me torno íntimo de pessoas que pouco conheço. Sem pensar, conto coisas que não deveriam sair dos cinco telefones preferidos que a Vivo me "deu de brinde". Como efetivo, trabalhei por dois meses em uma redação pela primeira vez na vida. Acho que fiz um bom trabalho, entrevistei alguns bons personagens e escrevi, se tanto, uma matéria legal.

Jornalisticamente, nada se compara à redação. Com os amigos que criei, também. Stress, briga, 40 notas sobre Fórmula 1 por hora, tudo isso é esquecido quando você olha para o lado e vê um sorriso amigo, um carinho que não encontrava faz tempo. Trabalhei por um período bem maior em um local onde não me sentia tão à vontade, querido nos momentos complicados e importante nos momentos mais banais. O tempo, de fato, não garante intimidade, não dá confiança, não assegura amigos.

Voltar a uma empresa que criei tantos amigos me alegra. Ter a chance de trabalhar com o que me foi proposto me entusiasma. Talvez o salário compense. Mas sentirei falta do fogo incessante da redação. Sentirei ainda mais falta dos amigos que acho ter criado. O tempo, quem sabe, não me pregará a peça de afastar os amigos que tão rápido criei e que, espero, não tão rápido perderei.  



Escrito por Fábio Balassiano às 15h37
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Inconfidências

Acordei com uma estupenda dor na coluna. Gritei, chorei, xinguei de dor. O André teve que aturar tudo sozinho. Não é justo com ele. Todas as lamúrias, minhas reclamações, coitado. Também queria contar como havia sido o processo da minha mais recente reportagem. Coisas banais. A troca de uma vírgula por um ponto no quarto parágrafo, a mudança de um 'acordo'  por um 'contrato' no sexto, por aí vai. Coisas que o Theo não mereceria ouvir, a Viviane idem, o Klaus tampouco.

Cheguei à conclusão que isso é tarefa para uma namorada. Não sinto falta de beijar. Como diz um amigo meu, o nível anda tão fraco que até um pangaré como eu tem os seus dias de Tornado (o cavalo do Zorro). O que me dá asco é querer ligar para contar asneiras, como as que citei acima, e não saber para quem.

É querer chegar no fim de semana e não tocar no telefone sábado à noite. Soltar um 'amor', e ouvir um 'o quê foi, lindo?' do outro lado da linha - por mais que o adjetivo seja mentiroso pacas. É, acima de tudo, ouvir os meus pensamentos mais alucinados no carro (sem rádio) com a mão acariciando o meu cabelo com sorriso no rosto. E com cara de que está adorando. Isso não é uma tarefa, é um castigo, eu sei. Mas alguém terá que fazer...

Não estou solteiro (sozinho?) porque quero, mas por circunstâncias. Com uma exceção, faz muito tempo, concorda Viviane?, que não encontro alguém realmente legal. Sempre encontro uma série de defeitos. Com uma bolsa de água quente na costela, esfriei a cabeça e descobri a verdade: o errado sou eu, os defeitos são meus e, portanto, eu mereço apenas a minha companhia.

Tá, claro, não é assim que penso. Mas enquanto não encontrar ninguém, vou pensar que penso assim para me iludir um pouco. Alguém já disse que o inferno são os outros, mas prefiro não acreditar nisso ainda. Estou novo demais... 



Escrito por Fábio Balassiano às 16h28
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Hein?

Caminhava para o meu primeiro almoço da semana, o segundo dos últimos quinze dias. Eram duas e pouca da segunda-feira pós GP do Brasil. Juro pra vocês, não é fácil. Trinta e seis horas de redação em três dias. Trakinas, Bonno, piraquê, conheço o gosto de todos os biscoitos brasileiros. O mais salgado? Torcida. Doce menos saboroso? O excessivamente recheado Bonno de brigadeiro. E por aí vai. Mas, sim, voltando. Com minha Rolling Stone na mão, abri a porta da sala e ouvi.

- Que mal lhe pergunte, mas o que é a WEB2?

WEB2 é a sala onde estou alojado na Lopes Quintas. Pensei em fingir que não escutei, em mandar para muito longe. Mas resolvi olhar para o rosto da pessoa com voz conhecida antes.

- É onde enviamos os vídeos para a empresa.com

Um 'muito obrigado, rapaz' foram as últimas palavras de William Bonner para a minha pessoa. Assustado, li um trecho da reportagem do novo filme de Jack Nicholson antes de voltar às notas de hipismo. Bonner, Nicholson, Rodrigo Pessoa. Definitvamente, minha cabeça não funciona como deveria...



Escrito por Fábio Balassiano às 14h16
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Meu livro de ouro

Não leio um livro há um mês. E isso me preocupa. Não ouço um CD há duas semanas. Isso me preocupa ainda mais. Foi por isso que andei pensando no meu tempo, ou, na verdade, na falta dele. Trabalho nove horas, durmo outras sete, perco uma diariamente no trânsito, em três faço curso, em uma estudo.

Onde estão as três restantes?

Honestamente, não sei, não sei mesmo. Talvez perdidas em leituras medíocres na Internet, quem sabe fuçando onde não deva, provavelmente pelo esgotamento mental que uma redação causa. Felizmente estou trabalhando, mas cansado. Não quero, mereço, nem preciso de férias. É apenas uma sensação engraçada: estou feliz por estar ralando demais, mas inquieto por não poder desenvolver outros projetos que também gosto.

No momento em que escrevo isso, às 19hs de terça-feira, meus olhos estão quase fechados. Mas não tem mais desculpa. Perderei tempo de sono, comerei ouvindo CD player no refeitório da empresa, irei ao cinema com um sanduíche na mão. Dane-se, está decidido.

O deprimente é que precisei de quatro parágrafos para concluir que ando sem tempo para este blog. Fico com pena de você, que teve que ler até o final...



Escrito por Fábio Balassiano às 18h12
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Obrigado

Por falta de tempo, e saco, esse "post" é só para agradecer aos mais de 300 cliques que este blog já recebeu. Sim, aqui do lado aparece um número parecido com 700. Mas, sem dúvida alguma, mais de 400 apertões foram meus...

obrigado



Escrito por Fábio Balassiano às 17h05
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