Um pouco sobre nada, por Fábio Balassiano


Fantasias

FICÇÃO. FICÇÃO?

Não sei se é do ser-humano. Acho mais provável que seja só obra da minha cabeça meio doentia. Sempre tive certeza do que esperar (ou do que não esperar) de uma pessoa - seja ela amiga, familiar, companheira de trabalho ou para fins de relações amorososas (chique isso, hein...). Evidente que já errei muito. Mas acertei muito mais que errei, isso é seguro. Foi assim com o Bruno pela primeira vez ao telefone entrando em um estacionamento, com o Klaus de cabelos desarrumados no departamento, com a Viviane e a Marcelle na auto-escola, com o Marcelo em uma aula em que ele lia Shakeaspeare e eu, babaca, o interrompi...

Até aí não há erro. O erro está, normalmente, no último dos pontos apresentados - na tal da relação. Como acontece neste exato momento, consigo detectar aquela que seria uma bela companhia para mim, mas não consigo agir. Consigo fantasiar até futuros programas. Só não consigo elevar a minha auto-estima até o ponto de começar a fazer a outra pessoa perceber isso. Complexo, não?

Tenho medo de mais um simbólico e catedrático não. Mas, depois de inúmeros conselhos, cheguei à conclusão que é melhor um não que a espera eterna pelo dia que os amigos dos amigos se encontrarão novamente e terei uma chance. Preferi perder para mim mesmo a deixá-la livre, bela e solta. 

Cacete, mas apenas um breve encontro fez isso tudo?  Sim, vocês podem imaginar. Se minha cabeça não funciona às mil maravilhas, que dirá o coração... Falam em desprendimento, em ser mais solto, em ser mais não-Fábio. Sou tímido, preso, tricolor e baixinho. Mas decidi arriscar, decidi tentar, decidi correr atrás de quem eu quero, por mais que não seja, e nem será, recíproco. Pode ser que seja ilusão, e minha taxa de erros cresça um pouco mais. Não creio. É tão difícil encontrar uma pessoa legal, que, quando encontro, acho não que não é possível me enganar tanto. 

Talvez não seja só um problema meu. Talvez seja. Talvez tenha muito 'talvez' neste texto. Provavelmente o mundo precisa de menos palavras e mais ações. Eu, seguramente. Ligarei para ela. Decidido. Mas, calma, só depois do feriado. Não é tão facil assim...



Escrito por Fábio Balassiano às 00h42
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O crescimento dos emergentes

Nada mal acordar no feriado e ler que o presidente pede "ousadia" à equipe econômica do governo. Dá vontade de voltar e dormir tudo de novo. A frase de Lula me lembra os técnicos de futebol, que exigem atitude de seus atletas, com todas a subjetividade que a palavra comporta.

Ousadia, em termos econômicos, pode ser uma série de questões: ajuste fiscal, redução da taxa de juros, acerto de contas públicas, mais privatizações. Ousadia, para a oposição, pode ser entendida como imbecilidade, como foi compreendida pelo PT quando este era da bancada rival. Enfim, uma palavra mal colocada, pelo presidente que ousou chamar os venezuelanos de bolivianos no dia anterior. Que fase!

O que causa mais espanto, entretanto, é que, mesmo com previsões de crescer apenas 2,5% em 2006, o governo pede o dobro para o primeiro ano do segundo mandato, esquecendo do primordial, ao meu ver: a redução do tamanho do estado, a reforma política e a diminuição dos cargos públicos comissionados.

Ao contrário dos Estados Unidos, que ontem registrou a menor taxa de inflação dos últimos 15 anos mesmo com o rombro de mais de 30 bilhões devido a guerra no Iraque, no Brasil o Estado não se banca sozinho, e "exigir" este tamanho todo dele implica em pouco crescimento. A opinião não é só minha, mas como do próprio presidente do BC, Henrique Meirelles, entre outros "papas" da economia.

Ano passado, o Chile, nosso vizinho minúsculo de América do Sul, cresceu 4,3%, a Índia outros 3,6%, entre outros que passaram o Brasil neste quesito. Desde que me conheço por gente ouço falar em país emergente. Enquanto mantivermos esta média, em que pese o patamar mundial de 3%, veremos os emergentes crescendo ao ponto dos países subdesenvolvidos e nos igualaremos a nações minúsculas, em termos de potencial geográfico e econômico evidentemente, como a Turquia.

O tal do país do futuro, o país emergente, o país do século XXI, infelizmente, "são" os outros.    



Escrito por Fábio Balassiano às 10h03
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O poder do não

Entrei na livraria.

- Vim aqui trocar esse livro.

- Não pode, senhor.

- Mas por quê não? Ele tem o selo da loja de vocês.

- Deixe-me ver então. (cinco segundos se passam) Não, decidicamente não pode. De acordo com o estatuto da loja, só dentro de quinze dias pode-se trocar a mercadoria. Passaram-se vinte.

- Moça, em primeiro lugar, livro não é mercadoria. Segundo, eu recebi isso de presente na semana passada, portanto, menos de sete dias no meu calendário pós-presente.

Venci a batalha. Segui com minhas "mercadorias" rumo ao cinema. Lá chegando, apresentei a carteirinha da pós para ver o espetacular 'Os infiltrados'.

- Senhor, não pode. Não aceitamos pós-graduandos.

Troquei a carteirinha, mostrei a da Une e paguei metade. O que me estranha é que as pessoas, sejam atendentes em particular, ou membros da sociedade em geral, respondem a qualquer pergunta com um 'não' antes de escutarem a explicação ou tentar solucionar o caso. Talvez seja o famoso mau-humor latente que caracteriza este começo de século XXI, certamente é a pior forma possível de continuar um diálogo.



Escrito por Fábio Balassiano às 21h07
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O limite da notícia

Ancelmo Góis, do Globo, tem uma das mais respeitadas colunas do país. Confesso, porém, que ando perdendo a paciência com algumas notas pouco "amigas" do jornalismo - porque, como ensina Millôr, "jornalismo é oposição, o resto é armazém de secos e molhados". Se não fosse o bastante ler um 'merece' após o nome de cada um dos ídolos dele, ou um 'deve ser horrível viver em uma cidade assim', ao se referir a um assalto em Estocolmo, nesta segunda-feira ele deu destaque a uma coisa parecida com essa: "A fase não anda mesmo boa para Ronaldinho Gaúcho. O craque tem que pagar pensão alimentícia de R$ 20 mil à ex-namorada".

Peraí: Ronaldinho recebe U$ 25 mil por hora; o cara é o melhor jogador do mundo disparado há mais de dois anos; e acaba de ser eleito novamente o mais técnico por seus colegas de trabalho. A fase dele anda ruim? Vinte contos afetam o humor de simples mortais, não de Ronaldinho Gaúcho. Ou não? Se a "fase" dele anda ruim, que dirá a minha...

Mas esse não é meu ponto. A questão vai além: qual a relevância de uma nota como essa, pessoal, estritamente pessoal do cara? A Folha de S. Paulo e o site Uol não partiram, sequer, para as famosas "repercussões" do fato, considerando-o um assunto de outra esfera - a jurídica-pessoal.

Saber o limite de onde há notícia e onde há fofoca é um bom começo para qualquer jornalista, ao meu ver. Ancelmo Góis não precisa de aula, mas a coluna é exemplo, ou molde, para muitas redações. O Globoesporte.com, entre outros, requentou o fato, fez uma charge com todos os "craques" que tiveram problemas com pensão e muito mais.

Para uma revista como a Caras, ótimo. Para um jornalão como 'O Globo', acho que o assunto de um cantor merece ser o novo CD, o de um jogador o seu desempenho em campo ou quadra, o de um cineasta o seu novo filme e por aí vai. Acho que seria por aí...



Escrito por Fábio Balassiano às 10h09
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Son mis amigos

Henry Galsky está de volta. O craque das palavras do Viva-Voz aqui dos favoritos resolveu encerrar, ao menos por enquanto, seu exílio em terras santas. Não consigo detectar, seja por palavras tortas do Skype ou por digitações breves do MSN, se ele está feliz ou triste por isso. Sair do país nunca é fácil. Voltar, menos ainda. Tenho certeza apenas de uma coisa: seus amigos, quem o conhece de verdade, estão exultantes. Não sou fácil para usar a palavra 'amigo', mas o Comandante faz por merecer a alcunha de longe.

Durante o meu tempo fora, foram dos amigos que senti mais falta. Sei que minha família estará sempre ao meu lado, como sempre esteve, mas acho que o carinho recebido pelos mais próximos foi do cacete. O mais maneiro é que a amizade resistiu a três intercâmbios - o meu, do Klaus e o próprio Henry. Amizade não se ensina, não se explica, mas se cativa, se mima.

Daqueles mais preocupados com o outro do que com si mesmo, Henry, Klaus e Theo formam a minha santíssima trindade dos melhores e mais perfeitos. Absolutamente diferentes entre si (fora de ordem, um é metido a poeta, o outro é um neurótico-do-bem, o outro um piadista de mão cheia), tenho orgulho de ser amigo deles, e, claro, poder contar com o ombro amigo em uma terrível e solitária noite de domingo... 



Escrito por Fábio Balassiano às 20h21
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