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História sem fim
Escrevo este texto com fome. Escrevo isso, sinceramente, pela enésima vez neste espaço. Isso sem contar o meu caderno, que você jamais lerá. Não leia até o final.
Domingo é um dia triste. Por mais que o sol raie lá fora, por mais que meu time não perca no fim de semana (dane-se que ele não entrou em campo – ele não perdeu e ponto), por mais que tenha visto dois bons filmes, por mais que tenha lido quase 30 páginas de um livro e escrito quatro textos, falta alguma coisa. Ou alguém.
Talvez eu não tenha parâmetro por ter gostado de uma pessoa só, talvez o problema é que eu goste e desgoste das pessoas com muita facilidade. Não deve ser tão difícil encontrar alguém. Para mim, é. Viu? Eu disse que você já havia lido isso aqui
Alguém pra dividir a pizza do Zona Sul, pra me encher o saco dizendo que estou bebendo muita Coca-cola, alguém pra ouvir todas as minhas bobagens. Eu amo minha mãe, eu amo o Klaus e o Theo, mas eles não são bem o que eu queria neste momento. É como se sentir só mesmo cercado de gente que você gosta tanto. Estranho, angustiante, mas ao mesmo tempo é bom saber que posso viver assim mais um dia. E mais um dia.
Vou abrir a lata de atum, tascar maionese, encher o copo de Coca e mandar brasa. Se ninguém surge pra me encher o saco do jeito que eu gostaria, mando um foda-se. E mais um dia.
Escrito por Fábio Balassiano às 21h00
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O Carnaval, o carnaval
É impossível julgar o resultado do carnaval pelo desfile das campeãs. A escola entra animada, em festa e sem compromisso com os sacais critérios analisados pelos jurados – um destes, presidente do meu time de futebol, é cardiologista, provando que o conhecimento para este tipo de atividade é bastante subjetivo e discutível.
Mas, voltando, é impossível não demonstrar descontentamento com o resultado da Viradouro, a única escola que tenta inovar na Sapucaí, criando novas vertentes do que é, ou seria, o carnaval. Depois da agremiação de São Gonçalo fazer a sua festa para o público, que gritava ‘é campeã’ a plenos pulmões, Paulo Barros, o genial carnavalesco, sentou-se exatamente à nossa frente, nas frisas. Sua feição de, digamos, “nós perdemos pra essas, é?” dizia tudo.
A Beija-Flor, a campeã, não tem culpa. Fez um desfile deslumbrante, cujos carros alegóricos e fantasias esbanjavam criatividade e luxo. Até mesmo um integrante da Viradouro disse-me que o vice-campeonato seria mais justo. Mesmo assim, eu acho que um samba que eu não consegui cantar nem mesmo com a letra em minhas mãos não deveria ser declarado como o vencedor do carnaval.
Quem sabe um dia a LIESA inventa uma maneira que consiga julgar a técnica da escola para desfilar na avenida e a emoção e empolgação que ela leva aos torcedores. Como? Sei lá. Meu papel no carnaval é comer bolinha de queijo, beber um pouco além da conta e escrever estas bobagens aqui. Até que eu consigo enrolar...
Escrito por Fábio Balassiano às 19h27
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Seven
Mataram o compositor do melhor samba dos últimos anos, o "Explode Coração" do Salgueiro. A morte, evidentemente, é o que menos choca. O excitante é que foram 20 tiros de fuzil. Mas quem liga para isso, né?
Na semana passada, um menino de seis anos também foi assassinado. Arrastado na porta de um carro. Este crime chocou. A sociedade clama por justiça, urge boçalidades, veste camisas pretas em sinal de protesto.
O irritante é que demonstrações de afeto no Rio de Janeiro e no Brasil só acontecem depois que facínoras-bárbaros lembram à sociedade-classe-alta-zé-mané quem é que manda no pedaço. Fala-se em diminuição da idade penal, em pena de morte, em punição exemplar. Grande merda.
Não que não tenha o mínimo de esperança que a situação mude. Mas agora é tarde. Mais uma família perdeu o motivo de viver. Outras temem que isso lhes aconteça em breve. E a gente vai vivendo, neste Rio de Janeiro onde polícia se mistura com milícia, onde milícia e traficantes se confundem, onde traficantes fazem a cabeça de políticos, onde políticos...
Escrito por Fábio Balassiano às 11h09
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Ela
Na semana sem descanso, fui conferir ‘Pequena Miss Sunshine’. Filmaço, emocionante e divertido. Na saída, vi no letreiro ‘Amigas com dinheiro’, em cinco minutos. Por quê não? Jennifer Aniston pra fechar o não-fim-de-semana...
No escuro, procurei por um lugar. Um vazio perfeito na quarta fila, mas impensável. Entre duas mulheres. Alguma deveria estar acompanhada. Decidi arriscar. Apontei para a cadeira, recebi um “por mim, pode sentar” da gordinha e um “aham” da lourinha. Ahn, lourinha? Não era qualquer uma.
O filme rolou na tela e eu criei outro na poltrona. Cabelos longos. Uma olhada, duas olhadas, a terceira. Sandálias. Todas, eu disse todas, correspondidas. Calça jeans. Pode ser que estivesse sendo simpática, educada, ou agindo com pena, mas não importa. Continuei tascando diretos, sem medo. Peitos lindos – naquele estilo que só eu e Klaus sabemos.
O cotovelo dela roçou no meu. Eu enlouqueci. Avancei um pouco, ela deixou. Sua mãe, ao lado, pouco notava, ou fazia que não notava. A sessão acabou, contra a minha vontade. Saímos juntos, lado a lado. Eu a fitava, ela fingia que não me olhava. Mas via, seguramente via que a degustava. Viemos no mesmo passo, na mesma direção, para a mesma esquina. Juntos, com a senhora entre nós.
Mas o que fazer? Como agir? E a futura sogra? Sem saber como chegar, optei pela sensação do dever cumprido. A sensação, nesta ocasião, pode ser bem melhor que a execução – e a sua conseqüência. Os olhares diziam tudo, o cotovelo demonstrava união, os lábios, carnudos, delineados, eram o desejo. Um desejo impossível.
O filme é ótimo, mas o melhor estava ao meu lado. Se Vinicius de Moraes se apaixonava até por cadeira de bar, por quê eu, um reles juvenil do amor, não posso viver um sentimento esdrúxulo pela loura da cadeira ao lado? Por duas horas, uma tarde, um cotovelo. Será possível?
Precisa ser?
Escrito por Fábio Balassiano às 21h13
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Só
É o fim. Mais um. O Segundo. Seguro que não ia dar certo. Estou certo de que a culpa é, definitivamente, minha. Amigos dizem que coloco pressão demais em mim, que estou sempre me flagelando. Que seja. É justo.
Talvez o meu espírito de equipe tenha ficado no Monte Sinai, nos tacos da quadra de futebol de salão. Ali a minha capacidade coletiva deve ter morrido. Viver comigo, a dois, é muito difícil. Principalmente quando o outro sou eu mesmo.
Por isso decidi alçar planos menos nobres, objetivos individuais: ser um bom profissional, comprar um apartamento antes dos 30 anos (impossível antes dos 25, como a Bruninha), entrevistar Michael Jordan e o mundo do basquete, publicar alguma coisa decente em algum jornal do país, mora fora, etc.
É incrível, e isso é uma constatação, mas chego aos 23 anos e vejo que tudo aquilo que sempre sonhei em ter a dois se diluiu, se rompeu.
Escrito por Fábio Balassiano às 12h54
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