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O inferno somos nós
Três casos me chocaram neste fim de semana: 1) Joaquim Roriz, novamente, envolvido em um escândalo de corrupção. O irmão do sócio da GOL e o presidente do BRB estão metidos nesta confusão também. O valor? Dois milhões, sendo que R$ 300 mil eram para a compra de um boi (um boi?!); 2) Um procurador do estado chamou, tranqüilamente bêbado, um policial militar de “crioulo de farda”, após bater com seu carro na Vieira Souto. Ei, mas racismo não era crime inafiançável? Esqueça, o bacana ficou somente nos R$ 6 mil... 3) Cinco jovens de classe alta espancaram, assaltaram e xingaram uma empregada doméstica na Barra da Tijuca. Motivo alegado? Também com grau etílico acima da média, o grupelho pensou que se tratava de uma prostituta, como se isso fosse motivo cabível.
É incrível dizer isso, é inacreditável pensar isso, mas a verdade é uma só: o Brasil não pode reclamar dos políticos que têm. Principalmente de uns tempos pra cá, o povo (a sociedade enfim) se comporta da mesma maneira dos homens de Brasília. Sem caráter, com a cara mais deslavada do mundo, sem nenhuma punição e vivendo como se nada houvesse acontecido. Não há como negar: os brasileiros e seus políticos se merecem muito.
O inferno, ao contrário do que Sartre disse, não são os outros (eles, os Rorizes da vida). Os infernais somos nós, aqueles que elegem os podres políticos da capital federal, e, não satisfeitos, agimos da mesmíssima maneira que eles. Viva o Brasil, um país sem solução.
Escrito por Fábio Balassiano às 12h06
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Contra a CPI
É evidente que não defendo a absolvição sumária de todos os aloprados, mensaleiros, sanguessugas e hurricanes que surgiram na TV Senado (ou seria a TV Câmara?) recentemente – e que contam com a minha audiência. Mas, sinceramente, eu perdi as esperanças no Brasil, perdi o mínimo de crença que eu ainda tinha na punição dos culpados. O caso do Renan Calheiros é exemplar, lamentavelmente falando.
Uma das poucas idéias que defendo com convicção é a diminuição do número de políticos em Brasília. Simplesmente por razões econômicas – não por sua economia pura e simples. Com número reduzido de deputados e senadores, há menos espaço para calhordas e votações escusas. O roubo (e rombo) seria menor, e a disseminação de filósofos como Severino se daria em escala aritmética, e não em geométrica como é atualmente.
Mas, voltando ao tema, eu defendo o fim das CPI’s pelo simples fato de que elas não levarão a lugar algum. Outros projetos (por mais encalhados que sempre estiveram) não teriam a desculpa do “estamos julgando quem merece ser julgado”, assuntos realmente sérios teriam chance de serem analisados e os canalhas, bem, estes continuariam no mesmo lugar. Fato que acontecerá com o fim da CPI. E viva o Brasil lindo e faceiro do Ancelmo Góis...
Escrito por Fábio Balassiano às 16h08
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Sai
Voltar a um porto-seguro tem lá suas vantagens. A primeira, emocional. Sentir-se querido pelas pessoas e confortável em sua cadeira (por mais que a coluna teime em doer sem parar) dá tranqüilidade e alegria no cotidiano. A segunda, emocional. “Dar uma resposta” a si mesmo e ser reconhecido por um trabalho é reconfortante.
Por outro lado, e sempre há um outro lado, existe a acomodação. Mas existe um limite até para a acomodação. O meu já chegou. Sinto-me preso, sinto-me sem esperança que meu barco encontre o tal porto-seguro onde eu realmente gostaria que ele fosse ancorado.
Talvez tenha chegado a hora de abandonar o conforto, arregaçar as mangas e procurar alguma coisa que realmente me proporcione a felicidade profissional que eu preciso. Saber o que é não é o importante, mas sim transformá-la em ações contínuas do meu dia-a-dia, e não esporádicas de férias alheias.
Escrito por Fábio Balassiano às 22h19
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Caetano
Duas frases geniais na entrevista de Caetano Veloso hoje, no Globo. A primeira dele mesmo. A segunda, uma citação de outro gênio, Bob Dylan.
1- "Sou um liberal de extrema esquerda, um ateu místico, um individualista que ama a sociedade e um irracionalista apaixonado pela razão".
2- "A felicidade não está entre as minhas prioridades".
Escrito por Fábio Balassiano às 21h17
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O eu meu eu
Bastaram dois dias para o cidadão (paulista) cravar a pergunta: “Fábio, você é um cara emotivo pacas, né?”. Deve estar mais que na cara, no meu olhar, no meu jeito. Não tenho vergonha, nem teria razão para isso, mas me intrigou. Não que desconhecesse este traço, mas não sabia que era tão evidente.
Parece babaca, mas até nas planilhas eu despejo alguma emoção, a minha emoção. Não consigo ser frio, distante, racional o tempo todo. Planejo, observo, tenho critérios, mas da minha maneira – sem que isso seja, absolutamente, insegurança. Por outro lado, sei que, e nisso eu me estrepo, o mistério também é uma forma de charme, uma forma de dança do acasalamento silenciosa.
Gostaria de dizer que o mundo não está preparado para o meu jeito de viver as situações. Na verdade, o que que acho de fato é: não dá pra ser alguma coisa que eu não consigo ser. Se sou assim, azar o meu. E que eu aprenda a viver assim, sendo compreendido pelas pessoas ou não.
Escrito por Fábio Balassiano às 09h41
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O grito
O apito anunciou: meu time é campeão. Pronto. Vários gritos (não o de Munch), um abraço no meu irmão, alguns sonhos. A poeira baixa, o calor da adrenalina e da emoção dá lugar ao frio da razão e, já de volta ao meu corpo, penso: porra, mas que diabos é isso chamado futebol? Todo tipo de paixão dá alegrias e tristezas, quase na medida um pra um. No futebol, não.
E não escreve aqui um torcedor-sofredor tricolor. Porque até mesmo um madridista, ou barcelonista, padece do mesmo mal. São inúmeras competições por ano, para, vá lá, um títulozinho mísero que nos dá a alegria suprema da conquista. Gritar um "é campeão" é libertário, quase uma independência completa da alma que te tira da realidade por istantes. E isso é bom pacas.
Pena que no domingo, três dias depois, outra competição recomeça, e as chances de vencê-la são mínimas. Queria gostar de vôlei e torcer pela seleção do Bernardinho, sabendo que iria ganhar a qualquer instante, em qualquer torneio, com qualquer time, contra qualquer adversário.
Na verdade, foda-se: torcer pelo Fluminense é sofrer. E se amar é sofrer, se amar é querer mesmo quando se tenta esquecer, se amar é ter orgulho de ser mesmo com mais derrotas que vitórias, eu amo essa coisa chamada Fluminense com todas as minhas forças.
Escrito por Fábio Balassiano às 21h14
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Esperança
Fernanda Montenegro entrevistou Ariano Suassuna hoje para “O Globo”. Se não fosse por uma frase, seria um bate-papo lambe-botas. Vamos a ela: “Procuro não ser otimista, porque considero os otimistas ingênuos, e não sou pessimista porque considero os pessimistas amargos. Sou um realista esperançoso”. Genial.
Sinto-me como Ariano – obviamente com muito menos talento e espasmos desse quilate. Tenho muita vontade de acreditar no mundo, nas pessoas, no amor, em tudo o que me cerca. Mas não consigo. Volta e meia tendo a parecer o amargo descrente citado por Suassuna, e então procuro a esperança. É como se fora um pêndulo de sentimentos e emoções.
Para ser sincero, a desesperança é bem maior. Um tapa na cabeça no sábado à noite quase me trouxe ao mundo. Ficou apenas no sonho. Rodei na pista, na tristeza, acreditando que não vale a pena pensar que algo de bom, de fato, vai acontecer comigo.
Quem sabe um dia chegue aos 80 anos e, tal qual Ariano, eu consiga me definir como um esperançoso. Crer está sendo bem difícil, principalmente no amor.
Escrito por Fábio Balassiano às 22h21
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