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Ecos
Talvez tenha sido coincidência. Provavelmente não. Acordei mais cedo que o de costume, troquei o trakinas dominical por algumas míseras torradas com requeijão (light) e andei no calçadão por duas horas. Voltei pingando. Parecia um suor culpado.
O fato é que estou mais velho e talvez, mesmo que inconscientemente, minha cabeça tenha sofrido reflexos. Tenho que ser mais paciente com os meus, mas preciso, sobretudo, caminhar, caminhar muito. Não sou idoso, mas acho que as velhinhas que soprei ontem fizeram a realidade bater mais forte.
Cervantes já dizia que a beleza está na estrada, e não na pousada. Já deveria tê-lo ouvido faz tempo...
Escrito por Fábio Balassiano às 22h05
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Um dia
Hoje não está sendo fácil por aqui. Para começar, a pergunta de praxe da aula de espanhol se tornou um convite ao devaneio. Ao falar da minha quarta-feira, contei que havia visto a partida (exibição) do Barcelona. Pronto.
Foi aí que disse que conhecia a cidade, o Camp Nou, os monumentos de Gaudí e da minha vontade de viver por ali. Filosofei sobre o ideal futebolístico do time de Ronaldinho e também sobre como seria/será viver por ali.
Depois, no almoço com meu amigo-querido-sumido Klaus, trocamos idéias sobre seu (dele) plano de viagem, que me pareceu estupendo. Lembrei de Keukenhof, a cidade das orquídeas na Holanda, dos vinhos baratos e de Lisboa, que conheci pouco, mas que muito me encantou.
Foi bom, mas ao mesmo tempo torturante. A verdade é que minhas memórias e lembranças da Europa são ótimas, e só ótimas. E, aí não tem jeito, quando se tem esta utopia de vida (por mais falsa e enganosa que seja, e é), o desejo é regressar e viver tudo novamente.
Um dia eu chego lá.
Escrito por Fábio Balassiano às 13h35
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O Brasil de Renan
Renan Calheiros acaba de ser absolvido no Senado. Em votação secreta. Após o pleito, e não satisfeito com os dois absurdos já citados, o senador Almeida Lima, creio que do PMDB do Sergipe, disse que esta é uma vitória do povo brasileiro, da sociedade brasileira, de todos enfim.
Como assim, cara? Em primeiro momento, pensei que ele tivesse enlouquecido. Mas, não. Ele está correto. O povo brasileiro, resignado, conformado, passivo, calado, nada fazemos. Não há mais revolta, não há mais nervosismo, não há "espaço" nem mesmo para criticar estes cidadãos que, querendo ou não, são nossos representantes.
É triste viver aqui, assim. É ruim pensar que mais Renans existem, dentro e fora do Senado. É óbvio que também existe corrupção e bandalheira no exterior. A única diferença de viver fora do país é que os absurdos dos outros são... dos outros. Não é fechar os olhos, esconder os problemas, mas sim tentar fugir deles e das/dos merdas desse Brasil que não anda.
Escrito por Fábio Balassiano às 16h40
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