Um pouco sobre nada, por Fábio Balassiano


Copas

Não dá pra não se animar com a possibilidade de ver uma Copa no quintal de casa, mesmo sem saber se ainda será minha dentro de 7 anos. O raciocínio mais correto é do meu amigo Heitor quando diz que gostaria de ter nascido em Barcelona, mas que, já que está aqui e apaixonado por futebol, restou a ele aturar Somálias e afins a cada fim de semana. Pra quem vibra com esses malucos, imaginar um duelo entre Messi e Thiago Silva é genial...

Só fico meio assim quando leio a respeito dos custos e das "obras" que deverão ser feitas pelo governo/iniciativa privada. Não é possível que só se possa gastar com transportes, saúde, segurança, infra e outras coisas por causa de um evento grande. Não é possível que só nos esforcemos para agradar ao mundo, e não aos que habitam essa coisa por 12 meses.

O Brasil tem um passado ruim. O Brasil tem um presente péssimo. Entretanto e senso menos pessimista que o pessimismo, história não é destino, e cabe a nós tentarmos mudar essa história. Senso crítico, sinceridade e vergonha na cara ajudam. Pelo visto vai ser difícil, pois o presidente Lula disse que o Maracanã está em melhores condições que o Olímpico de Berlim...



Escrito por Fábio Balassiano às 15h27
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Lourival

Lourival Alves Bezerra Filho, 50 anos, guarda municipal há 25 anos no Paraná estava prestes a se aposentar. Não vai ser possível. Nesta quinta-feira à noite ele foi morto a pedradas e tijoladas por vândalos que tentavam destruir uma estação de ônibus na Cidade Industrial de Curitiva (CIC). Teve afundamento do crânio, todos os dentes quebrados e ficou com rosto irreconhecível apenas por tentar impedir que os tais jovens fizessem a quebradeira.

Eu, sinceramente, não tenho palavras para comentar o caso. Fico por aqui, e com muita raiva por ter lido isso.



Escrito por Fábio Balassiano às 14h01
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O querer

Queria chegar cedo no trabalho. Consegui despertar sem o "soneca" do despertador, tomei um rápido café da manhã e me arrumei em menos de meia hora, o que para mim é uma puta vitória. Queria chegar cedo no trabalho, pois.

 

Mas o Rio de Janeiro continua a me pregar peças, e quase sempre pouco agradáveis. Dentro do 426, soube que não poderia chegar ao destino pois uma “operação policial” fechara uma rua do Rio Comprido. Pode parecer estranho para quem viveu os seus primeiros 24 anos de vida aqui, mas não consigo me acostumar a esta situação. Pode ser que seja no formato de conta-gotas, mas tenho vontade de que cada dia a mais nesta cidade seja, na verdade, um dia a menos.

 

Não tenho medo. Mas tampouco me sinto confortável em viver à espera de qualquer situação de perigo, como que esperando um alarme emergencial tocar a todo instante. E não há “soneca” que dê jeito...



Escrito por Fábio Balassiano às 13h03
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Existe limite?

Acabo de saber que um vândalo jogou corante vermelho na Fontana di Trevi, na Itália. Não é novidade. Meses atrás, um grupo de bêbados-bandidos destruiu parte do dragão do Parc Güell de Barcelona. Assim: o que passa na cabeça de um marginal desse e até onde vai o limite de pessoas assim?
 
Acontece aqui o tempo todo, não necessariamente em monumentos públicos. A diferença é que os quatro bêbados-bandidos do Parc Güell foram presos e tiveram que prestar serviços públicos – se estas práticas são a solução e adiantam, é outra história evidentemente. O boçal de Roma? Está sendo procurado pela polícia e foi considerado, pelo governo local, um crime contra o patrimônio público. Por aqui? Nenhuma procura, nenhuma solução, nenhuma linha escrita pelos nossos comandantes.


Escrito por Fábio Balassiano às 15h50
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Sobre Tropa de Elite

Não vou falar sobre o filme, pois o assunto é inesgotável para este pequeno espaço - apesar de achar que o mal maior está em quem o assistiu do em quem o fez, evidentemente. Tampouco vou falar sobre pirataria, porque o tema também é extenso e controverso.

O que minha cabeça não consegue entender é: segundo o NY Times, e de acordo com dados do IBOPE, cerca de 11,5 milhões de pessoas viram o filme em cópias piratas. O quê? Como chegaram a este número? Qual foi o critério? Cópias vendidas por camelôs? Mas, ei, e os copiadores dos copiadores? Duvidoso, hein... (dois estatísticos amigos confirmam que é, no mínimo, estranho)

Se este número fosse transportado pro cinema, "Tropa" seria o filme brasileiro mais visto de todos os tempos, ultrapassando "Dona Flor e seus dois maridos", que teve cerca de 10 milhões te espectadores há uns 30 anos - fato que não deve acontecer, apesar da estréia, com mais de 180 mil pessoas em salas do país. É ou não é um retrato fiel da sociedade brasileira? Pirata, canalha e calhorda... 



Escrito por Fábio Balassiano às 14h22
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O ex-caos

Segunda-feira é certeza de trânsito caótico por aqui. Tento, normalmente sem sucesso, sair sempre com uns 20 minutos de antecedência. Mas hoje foi diferente. Tudo fluiu, e em 10 minutos estava no trabalho.

A razão é simples: hoje é dia do mestre (as escolas não abrem) e do comerciário (o comércio está fechado). A conclusão, charlatona, é óbvia: professores e lojistas devem representar, brincando, uns 60 ou 70% dos usuários de transportes não-coletivos desta cidade.

Como resolver isso? Sei lá, pô!



Escrito por Fábio Balassiano às 14h51
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O ser

Ia conseguir. Estava pronto para desligar e voltar tranqüilo pra casa. Parecia. Chequei meus e-mails pela última vez e me deparei com uma tragédia eletrônica. Uma verdade-brincada inicial, outra brincadeira-verdade seguinte, e eu embarquei, achando que seria compreendido. Engano. Dois me mandaram às favas, e ao meu ver sem o menor motivo, pois a picardia estava clara. Mantive a compostura, pedi desculpas, mas continuo incrédulo.

É lugar-comum, mas tá difícil entender as pessoas, saber onde se pode esticar a corda, tentar ser minimamente bem-humorado e lutar para manter o ambiente leve. O que noto, em geral obviamente, é uma falta de vontade de sorrir anormal e um mau-humor assustadoramente constante para pessoas que se conhecem superficialmente e cujos motivos para má relações inexistem. 

Pareceu aquela brincadeira de criança, a dança das cadeiras - todos estão fazendo a mesma coisa, até que o último não perceba que o jogo mudou. Engraçado. Quando era criança, eu não perdia uma. Hoje, ao que parece, eu dancei feio...



Escrito por Fábio Balassiano às 20h12
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Oxigênio

Após a minha tentativa de corrida dominical, tive um acesso de loucura: pisei na Travessa e comprei dois livros. Com estes, são nove novos títulos na estante, sem que eu tenha a menor previsão de quando conseguirei lê-los.

Ontem comprei "Letra Só", songbook com as letras/poesias do Caetano Veloso até o disco Cê. O sexagenário pode até ser chato, mas é gênio - e eu, seu consumidor alucinado. Lançou disco? Eu compro. Nova turnê? Eu vou. Livro? Tô nessa. Comecei a folhear e ver as letras. Caetano, Gabriel Garcia Marquez, João Ubaldo. Esses caras fazem com que qualquer ser humano normal se sinta um merda quando tenta escrever qualquer coisa.

Mas descobri que correr aos domingos pode ter seu lado bom: dizer a todos que a falta oxigênio no cerébro causada pelo esforço físico foi determinante para que as minhas linhas saíssem tão ruins e tortas.



Escrito por Fábio Balassiano às 13h19
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Percepções

Deve ser por causa das aulas de Marketing. Dizem por lá que, independente do que seja uma determina coisa (ou situação), o que vale é a percepção. A verdade é que ontem comemorou-se Simchat Torah - festa judaica em que se celebra o recebimento do livro sagrado no Monte Sinai.

Para mim, entretanto, esta continua sendo a "festa do dia seguinte". Era a manhã posterior que contava para mim. Crianças, corríamos atrás das balas, olhávamos nossas avós, tias e mães com reverência (por causa dos doces que elas jogavam, claro) e brincávamos dentro da própria sinagoga. Deve ter algum significado neste trio diversão-religião-família, e eu gostava pacas disso.  

Sei lá. Este texto não tem razão, fim ou motivação alguma. O fato é que fico feliz que o espírito juvenil ainda não tenha desaparecido da minha essência - disso eu tenho certeza. Alguns conseguem me enxergar (perceber) assim. Espero que isso nunca mude.



Escrito por Fábio Balassiano às 17h02
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