Um pouco sobre nada, por Fábio Balassiano


Na orla

Trabalhar em outra cidade tem lá suas vantagens. Com as quase três horas diárias no 2016 para ir pra Barra da Tijuca (uma civilização bem diferente da minha, devo confessar), já quase terminei um livro, leio as revistas semanais e, sobretudo, penso e reflito pacas. Voltando pela orla, hoje tive uma sensação ruim.

Com o salário de jornalista, jamais conseguirei comprar um apartamento ali. Não que seja meu sonho de consumo, mas é uma constatação. Precisaria trabalhar 60 anos sem parar, e não gastar nada, para obter um. Daí tive duas conclusões: 1) ou relaxo e aprendo que jamais terei algumas coisas que sempre quis - viajar uma vez por ano, restaurante no fim de semana, queijo brie no lanche dominical... ; 2) ou eu arrumo um complemento verbal para a minha parte financeira.

Hummm... Quero o queijo brie com presunto de parma...



Escrito por Fábio Balassiano às 22h26
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Lição

Sabe. Você chega em casa do seu primeiro dia de trabalho, relembra o dia anterior, de tantas emoções, come uma parada, sai com os amigos para se distrair e volta pra casa. Se preparando para dormir, abre seus emails, numa espécie de ritual macabro pré-sono. Pra quê, né?

Você lê uma mensagem, imbecil e sem sentido, que lhe tira o sono, não sabe como reagir, começa a suar, pensa que fez tudo errado. Lê novamente, relembra os fatos, junta os cacos, tenta compreender. Mas desiste.

Contra a pouca educação humana, a falta de índole, contra essas bobagens-baixas eu ainda não aprendi a lidar. Um dia eu chego lá. Ou não abro email antes de dormir...



Escrito por Fábio Balassiano às 23h56
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Frase do Zeca

- Zeca, a cerveja não atrapalha a sua vida?

- Na verdade, é a vida que atrapalha a minha cerveja... - decretou Zeca Pagodinho.

Simplesmente genial!



Escrito por Fábio Balassiano às 17h19
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Ciao, Fidel

A gente descobre que está ficando velho quando o infindável Fidel Castro pede arrego pra cuidar de sua saúde. Fala sério, nunca imaginei ver essa cena. Com mais de 80 anos, o amigo de Che Guevara perdeu a linha faz tempo, fez de um sonho (o socialismo) um pesadelo para a população, mesmo que alguns boçais que parecem viver nos anos 60 ainda acreditem que isto ainda possa existir.

O Socialismo não tem mais vem em um mundo tão "aberto", apesar de ser menos livre do que imaginamos. Infelizmente, não acredito que muita coisa mudará em Cuba, mesmo com a "saída" de Castro. É triste, eu acho triste, mas a população parece tomada por uma anestesia mental absurda... Sei lá, tou meio sem palavras agora. 



Escrito por Fábio Balassiano às 10h16
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Juno

Ontem fui ver Juno, meu primeiro dos filmes que concorrem ao Oscar, se é que isso quer dizer alguma coisa. Versão adolescente do familiar 'Pequena Miss Sunshine', o filme é ao mesmo tempo sensível e profundo, e com diálogos e sacadas geniais. Aborda temas interessantes (aborto, relações familiares, amores juvenis e dúvidas do coração), fala de sonhos e desejos, além de contar com a bela Jennifer Garner, no papel de uma maníaca e frustrada candidata a mãe do ano.

Juno não ganhará a estatueta, é evidente. Não é filme para isso. Mas merece ser assistido, principalmente pela exibição dos jovens atores e do roteiro de Diablo Cody (codinome, aliás), cujo blog no MySpace é o melhor dessa nova fornada interminável de blogs. Cody, ex-stripper, é a primeira da geração facebook-myspace-msn-google que consegue emplacar algo de realmente interessante. Que assim seja e que assim continue, porque o filme, o de menor orçamento a chegar entre os finalistas do Oscar, é bom demais.

Chega, até mesmo em quem tem meros 24 anos, a dar saudade dos tempos de colégio...  



Escrito por Fábio Balassiano às 10h08
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Mexe

É engraçado, né. Do nada a vida te dá uma sacudida e te coloca em uma outra dimensão. Já foi assim em 2006. Cético que sou, fico com medo deste espasmo ser o anti-reflexo do péssimo fim de ano que tive em 2007, assim como tive em 2005. Mas por quê digo isso? Simples: não aguento mais viver nessa montanha-russa emocional. Se for pra ser um merda, que me digam isso, porque eu aceito e vivo como um.

O que não dá pra entender (não que seja necessário entender tudo na vida, claro) é que do nada algumas pessoas te convidam pra tudo o que sempre quis, os elogios passam a ser mais frequentes que as folgas do Legislativo, as possibilidades passam a se tornar probabilidades bem grandes e o que era sonho passa se tornal algo palpável.

Mas, como não sou idiota, prefiro este segundo lado, nem que seja breve. E triste no final.



Escrito por Fábio Balassiano às 01h08
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Sobre lugares-comuns

Vamos aos carnavalescos então, com suas verdades e mentiras:
1- É emocionante desfilar. Nunca tinha ido, e de fato é sensacional. A galera gritando faz até um gringo carioca, como eu, sambar... Melhor que desfilar uma vez é desfilar duas, e como virtual campeão...(Verdade)
2- A Beija-Flor não merecia ganhar o carnaval. (Mentira). Leiam abaixo
3- A Viradouro foi, mais uma vez, roubada. (Mentira). Fez um desfile medíocre, suas fantasias eram com demasiadas cores, seu samba não pegou e as inovações do Paulo Barros não são tão inovações assim (tirando o carro do esqui).
4- Todas as escolas são iguais (90%-de-verdade). Com exceção da Porto da Pedra e São Clemente, o nível daqui é extremamente alto. Estas duas que eu citei poderiam, facilmente, vencer o enterro, digo, o desfile de SP.

Pedradas, por favor, pedradas...



Escrito por Fábio Balassiano às 01h07
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Clóvis Bornay

Para os alienados, a Beija-Flor foi a campeã do Carnaval 2008. Para os que entendem, o Salgueiro levou. Não existe concorrência com a escola de Nilópolis, sério. Os caras são os que mais investem (e sabemos bem de onde vem este dinheiro), possuem dois craques na comissão de carnaval (Laíla e Louzada), um puxador carismático e um mestre de bateria excepcional. Fora os enredos, que são sempre revestidos com palavras que ninguém compreende, dificultando assim a tarefa do jurado, que até gostaria de tirar ponto, mas não saberia justificar...

A verdade é que a Beija-Flor é o Clóvis Bornay das escolas de samba. Cheio de pompa e circustância, mas chata que dói...



Escrito por Fábio Balassiano às 18h12
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O Filho da noiva

A gente se sente meio mal quando assiste a um filmaço somente alguns anos depois de seu lançamento. Foi o que aconteceu ontem comigo. Lançado em 2001, "O Filho da Noiva" chegou às minhas mãos em meados de setembro, ainda por conta das minhas aulas de espanhol. Não tinha conseguido vê-lo, e me arrependi mais ainda. A obra argentina é excepcional. Não tanto pela forma como o diretor (Juan José Campanella) constrói as cenas, mas sobretudo pelo roteiro, pelas imagens e pelos diálogos.

Ricardo Darin, a quem já conhecia de Kamchakta, dá um show na pele de um quarentão à beira de um ataque de nervos. Estressado, sem capacidade para amar a uma jovem que sofre à procura de emprego (familiar, não?), cuidar de sua família e sem dar atenção a sua filha, ele larga tudo para poder viver aquilo que tinha perdido. Não dá pra descrever aqui o que se passa na tela, simplesmente porque não são só as palavras do filme que comovem. Mas vale a dica.



Escrito por Fábio Balassiano às 13h12
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Liberdade, liberdade

Não é necessário dizer que liberdade de expressão é fundamental, né? Mas tem diferença entre este termo e a como utilizá-lo. Noves fora o aspecto emocional quando um judeu escreve sobre, me parece claro que não é a maneira mais, digamos, sensível de abordar o tema da Segunda Guerra Mundial com uma alegoria de Hitler pisando em corpos de pessoas (judias?) mortas. Sinceramente, não é.

Paulo Barros, o genial e ao mesmo tempo imbecil carnavalesco da Viradouro, poderia escolher outra maneira para falar do assunto, que, ao contrário do que diz a FIERJ, pode, sim, ser elucidado no Carnaval. É só uma questão de inteligência para mexer com a situação. Colocar suásticas, por exemplo, não acho nada de anormal, para ser sincero. Corpos sendo pisados por Hitler, sim. Alguns argumentam que em uma época onde o estado etílico prevalece sobre o estado racional tampouco é recomendável dar lições de história ou geografia, mas aí é um outro problema, ao meu ver.  

O tema, ao contrário do que todos dizem, não tem nada de polêmico. O nazismo de Hitler foi um fato histórico, tão histórico como a Era Vargas, que também já foi abordada na Sapucaí. A maneira como abordá-la é que necessita de atenção. Atenção que o carnavalesco não teve, e isso não é censura, mas cuidado mesmo.



Escrito por Fábio Balassiano às 13h55
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