Um pouco sobre nada, por Fábio Balassiano


Susto

É claro que eu me assustei. Você é acordado na segunda-feira pela manhã (e não é daí que vem o susto, hein...), sai correndo para o trabalho e se depara com uma colega de faculdade na esquina de sua casa. Grávida. Linda como sempre. Mas linda como sempre e grávida. E é aí que você não entende o que acontece com a vida, com as pessoas e com o rumo da vida das pessoas.

Sei não, mas acho que as pessoas tão em uma fase bem diferente da minha. Será a segunda amiga que se converterá em mãe, e digo isso depois de ver três grandes amigos se casarem (e vem o Cossenza por aí também...). E eu aqui, praticamente com a mesma idade que eles, praticamente com a mesma cabeça, e objetivamente em uma situação bem diferente da deles.

Livre, leve e solto. Bem solto. Solto até demais para o que vejo dos meus amigos aí...



Escrito por Fábio Balassiano às 22h24
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Xô, saudosismo

Do nada a sociedade tem uns surtos meio psicóticos de saudosismos idiotas. Não precisa ser gênio para saber que há épocas boas, de entressafras e ruins na vida, seja ela artística, esportiva ou comportamental. Mas o que não aceito é boçalidade e manipulação de informação. Um exemplo: foi lançado semana passada (o ótimo) 'Chega de Saudade', e um "repórter" classificou o filme como uma "ode aos tempos de bailes e bossas de um Rio que não existe mais". Não é bem isso.

Nunca se tocou, e se ouviu, tanta bossa nova, sambas e chorinho na cidade. Casas noturnas, aproveitando-se do fenônemo da nova Lapa, cansam de abrir espaço (e faturar alto com isso) para uma nova turma que não cansa de tocar João Gilberto, Tom Jobim e afins. Isso sem falar em "templos" que faziam sucesso nos anos 60 e 70 (Democráticos, por exemplo), e que ressurgiram na "minha" geração.

Outro dia, aqui no trabalho, uma menina da minha idade disse que os chocolates de antigamente eram melhores que os de hoje. Peraí, né. Como chocólatra assumido, não serei idiota de dizer que chocolate é a mesma coisa. Mas, porra, não acredito que exista criação tão "nova" assim para um produto de, no mínimo, mil anos. E, vamos combinar, o galak com negreso é do séxulo XXI...



Escrito por Fábio Balassiano às 15h27
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O Ministro Gil

O cantor Gilberto Gil tem todo o direito de negar entrevistas a quem quiser, a falar sobre o tema que escolher, a cantar quantas vezes quiser. O ministro, não. Ele é figura pública, e mesmo em perguntas com fundo sarcástico, como foi o tom empregado pelo pessoal do Pânico! na noite de ontem, ele deve esclarecimentos à população.

Por mais irônica que fosse, a indagação (sobre o fenômeno da música Créu!) fazia todo o sentido e permitia, até, que o Ministro Gilberto Gil, aquele que não se cansa de fazer shows (inclusive na ONU), aquele que já gravou três CD's desde que chegou ao governo, desses aos humoristas uma não resposta típica do cantor Gil. Mas o baiano, com pose e pompa, preferiu o silêncio.

O mesmo silêncio de quem, em meia década de governo, não fez porra nenhuma de novo e de bom pela cultura de um país e, o pior, ainda fecha os olhos para os novos movimentos artísticos do Norte e (do seu) Nordeste. Canta, Gil, e sai fora disso que não te pertence.



Escrito por Fábio Balassiano às 17h22
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Câmbio

Não é tão ruim trabalhar no sábado, sinceramente. É só relativizar a situação. Para quem descansou na quinta e sexta, é como se hoje, sábado, fosse uma segunda-feira diferente, bem diferente. Redação vazia, sem tanta pressão para mexer no imexível, Nadal no lugar das séries.

A única dureza é que pego o busão na orla. Ficar esperando, de calça e camisa, e ver passar as beldades de biquínis curtos e pouca roupa é que é difícil pacas. Foi por muito pouco que não mudei de idéia. Talvez amanhã... 



Escrito por Fábio Balassiano às 17h42
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Medos

Há dias em que você não tem vontade de fazer nada, ver um monte de jogo de futebol na televisão, quando na verdade não se está vendo nada. Se me perguntam como foram as partidas de hoje, não saberei dizer. Minha cabeça estava longe, bem longe.

Há dias em que aquele pingo de dúvida que todos têm bate em você. Se aquilo que você vai planejando será concluído lá na frente, se aquela sua idéia será vista como bestial, e não como se vinda de uma besta, se daqui a 15 ou 20 anos o futuro de hoje será um brilhante presente de amanhã. 

Mas é melhor não pensar muito no amanhã. Porque, se meu futuro, no meu sonho apenas, é fodástico, o meu "amanhã" não é tão animador assim.



Escrito por Fábio Balassiano às 22h28
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Relações Públicas

Eu sinceramente acho que o mais importante nisso tudo aqui são as relações interpessoais e o que fazemos com elas durante a vida. Já me contentei com algumas situações que não serão atingidas, com algumas dificuldades que houve e exisitirão sempre e com sonhos frustrados no meio do caminho.

O que acho mais importante é a maneira como você lida com o próximo. Filho, família, amigo, empregador, não interessa. Você é o que é, ou o que finge que é, mais especificamente nesta sociedade de ilusões. Se o reconhecimento é, na verdade, um auto-reconhecimento, todos deveríamos nos contentar em dormir tranquilo e fim de papo. Mas não é assim que acontece. Tem uma coisa chamada "poder da validação", o ouvir um "parabéns" por algo bem feito. Lágrimas de diamante não me comovem, não têm sabor algum, mas as pessoas acreditam, e o artista, o ator, o político que se dá bem com todo mundo, acaba se saindo melhor neste Planeta.

Não vou dizer que são injustiças. É o modus operandi atual: seja falso, você vai se dar bem. Minta, você vai se dar bem. Viva uma vida que não é a sua e você terá sucesso. Separe sujeito de predicado com vírgula e seja chamado de gênio. Não tem jeito. Parabéns a todos nós, que nos acostumamos com uma situação que não existe, com uma inexistência de valores cada vez mais real. É a vida, não tem jeito. Eu é que não vou me acostumar a isso, (in)felizmente.

Se a consequência disso é ser um eterno cavaleiro solitário dos "otários" transparentes, eu sou.



Escrito por Fábio Balassiano às 12h33
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Futuro

Hoje saiu uma notícia interessante: o ator Matthew McConaughey quer batizar seu filho com nome de uma marca de cerveja. Beleza, cada um faz o que quer. Há malucos que colocaram a alcunha de Zico, John Lennon, Fidel, entre outros. Tenho apenas um medo e uma certeza:

Meu medo é que neste mundo cada vez mais mercantilista e "marqueteiro", empresas "comprem" certidões de nascimento de filhos de famosos para, digamos, expor suas marcas em filipetas no formato de bebês-celebridades.

A certeza é simples: nenhuma criança merece ter nomes por causa da paixão celerada de seus respectivos pais.



Escrito por Fábio Balassiano às 15h41
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Marcas

Presente e futuro se misturam quando o assunto é passado. Alegrias e tristezas se misturam quando o assunto são marcas que você carregará pela vida inteira. Um título inesquecível de seu time, o primeiro amor, a primeira desilusão amorosa, a primeira vez que você descobre que no mercado de trabalho 99,9% dos caras que você encontra são canalhas... A dor vai ser sempre levada como dor, qualquer que seja o ano que ela seja lembrada. A alegria, idem.

São marcas que ficam em você, são imãs de geladeira que grudam em sua biografia e não saem mais. Não é ruim. Não é bom. Acontecem e ponto. Não adianta esbanjar alegria em um ambiente hostil. Não adianta ser sincero se o mundo parece, a cada dia, falso e descartável. Não adianta você se achar capaz se aquele que pode te enxergar como um "ativo", para usar uma linguagem que meu irmão adora, te enxerga como uma ameaça.

E isso também é uma marca que se leva...



Escrito por Fábio Balassiano às 22h33
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Um quarto

Sentado na artificial pracinha do Dowtown para fazer o tempo passar eu lembrei que já tinha vivido bons momentos ali. Em um daqueles bancos, estive acompanhado, mas não me lembro de quem. Recordo dos detalhes, mas não da pessoa, e não é brincadeira. O relógio marcava 14:43 e voltaria ao trabalho em menos de 17 minutos. Não foi fácil.

Neste um quarto de hora tentei pensar no que estava acontecendo, na falta que estava sentindo, ou se realmente era falta o que estava sentindo. Sentimentos múltiplos podem confundir, sabe como é. Na verdade, passadas quase 26 horas, eu ainda não desvendei se a é de uma pracinha verdadeira ou de uma companhia que eu possa lembrar do rosto no dia seguinte.



Escrito por Fábio Balassiano às 15h00
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